terça-feira, 18 de maio de 2010

Bouguereau, mestre do academicismo


Adolphe-William Bouguereau, pintor francês (La Rochelle, 1825-1905) dedicou-se à pintura academicista. Professor de pintura na Escola de Belas Artes de Paris, após 1850, opôs-se firmemente aos pintores impressionistas, especialmente Edouard Manet (1832-1883), colocando-se como defensor intransigente da pintura acadêmica. Sua técnica incontestável, sua meneira suave e detalhista podem ser observadas em toda a sua obra. O academicismo nos remete ao estilo pictorial do Renascimento, e é possível perceber a semelhança entre a temática e a composição das obras de Bouguereau com as madonas de Rafael e as pinturas de Michelângelo.

Em seu tempo, a academia de Belas Artes de Paris exigia de seus participantes que produzissem tabalhos que evocassem a mitologia greco-romana e os temas épicos, como as vitórias de grandes generais da antiguidade, as conquistas de Napoleão, ou temas religiosos.



Mas os temas em que ele mais se revela como grande mestre, a meu ver, é  na representação de cenas do cotidiano, mães com crianças, crianças brincando, cenas do campo, trabalhadores, pessoas, enfim. Nesta pequena amostra podemos contemplar a beleza e leveza das composições deste notável mestre da pintura, sua maestria em combinar as cores, e exprimir os sentimentos humanos...





terça-feira, 30 de março de 2010

Santo Antonio do Pinhal, um pedaço do céu na Serra da Mantiqueira



Conhecer Santo Antonio do Pinhal foi uma experiência gratificante, sem par, principalmente para um amante da natureza como eu. A paisagem é formada por uma sucessão de vales e morros, entremeados por córregos, cachoeiras, matas fechadas, campos, sítios e casinhas de beira-de-estrada, pousadas e lugarejos pitorescos...onde não faltam vacas, cavalos, gansos, galinhas, pássaros e flores de todos os tipos. Com uma vegetação exuberante, paisagens de tirar o fôlego, e um sem número de vistas e mirantes magníficos, de onde se podem ver vales e colinas maravilhosos, de um verde brilhante e novo!! Fomos até presentados com um arco-iris!

Ficamos na pousada Cesar, na estrada do Machadinho, a 10 km do centro de Santo Antonio do Pinhal, um lugar muito simpático, aconchegante, onde pudemos descansar. Voltaremos mais vezes, acompanhados das filhas e familiares...


Fizemos alguns passeios inusitados e interessantes. Abaixo, um grupo de gansos passeava tranquilamente pela estrada...tivemos que passar bem devagar!















Fomos até o Pico Agudo, uma montanha de onde se pula de asa delta, e de onde se tem uma visão de 360º de todo o Vale do Paraíba e Serra da Mantiqueira. Simplesmennte fantástico! Esta foto mostra-nos no alto do Pico Agudo, e ao fundo, a vista do Sul de Minas. Fomos agraciados com dois belíssimos dias de sol.



 Uma vista particularmente bela é a que se tem do Vale do Paraíba, quando se olha para o sul. A vegetação multicolorida por flores, pássaros e borboletas, aos montes!!
A pequena cidade de Santo Antonio do Pinhal, com seus 8 mil habitantes, parece perder-se em meio à natureza. Cercada por pousadas aconchegantes e convidativas, pede para ser visitada. Suas casas, lojas e praças se parecem com qualquer cidadezinha de interior, mas, por estar situada próxima do sul de Minas, carrega um forte acento mineiro, assim como outras irmãs próximas: São Francisco Xavier, Monteiro Lobato, São Bento do Sapucaí...Abaixo, a estação ferroviária da E.F.C.J., Eugênio Lefévre.

Outro recanto interessante é um pequeno shoping center na entrada da cidade, cercado pela natureza...Abaixo, uma loja de artesanato implantada em meio a um belo jardim.
Curiosamente, descobrimos um riacho que passa atrás do pequeno shoping, e que pode ser visitado. Há uma trilha junto ao córrego, que pode ser percorrida por aqueles que gostam de se aventurar pelas matas...

Aqui, a trilha que margeia o pequeno riacho...




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O que diz a ARTE?

" a arte diz o indizível, traduz o intraduzível, exprime o inexprimível" Leonardo da Vinci

" a alma se deleita naquilo que é infinito: no céu,no mar, na poesia...."


" os poetas recriam o mundo, reencantam a vida, inventam conexões novas, são seres do espírito..."   
  Leonardo Boff

" aproveitar nossos breves dias e noites para refletir sobre a nossa caminhada terrena, a nossa fome de pão e água, nossa fome de beleza e transcendência..."


" o invisível se manifesta pela sacramentalidade do visível e do sensível..."   Frei Betto


" a felicidade é encontrarmos em nós a capacidade para amar, porque tudo o que fazemos sem amor é tempo perdido, é feito em má hora, é uma infelicidade, enquanto tudo o que fazemos com amor é a eternidade reencontrada"   Jean Yves Leloup         
           
                                                                                            
" a arte alimenta-se de ingenuidades, de imaginações infantis que ultrapassam os limites do conhecimento; é aí que se encontra o seu reino. Toda a ciência do mundo não seria capaz de penetrá-lo..."  Lionello Venturi


"  para fazer uma obra de arte não basta ter talento, não basta ter força, é preciso também viver um grande amor..." W. A. Mozart


" a arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte..." M. Gandhi


" o fim da arte inferior é agradar, o fim da arte média é elevar, o fim da arte superior é libertar..." F. Pessoa


"  a arte é a contemplação: é o prazer do espírito que penetra a natureza e descobre que ela também tem uma alma. É a missão mais sublime do homem, pois é o exercício do pensamento que busca compreender o universo, e fazer com que os outros o compreendam..." Auguste Rodin


" a coisa mais bela que podemos experimentar é o mistério. Essa é a fonte de toda a arte e ciência verdadeiras..." Albert Einstein

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Orquídeas, mistérios da natureza


Desde jovem me apaixonei pelas orquídeas. Flores maravilhosas, algumas de perfume inebriante, seres vivos de uma beleza sem par. Para mim, são um verdadeiro mistério. Basta você amarrá-las ao tronco de uma árvore, e elas sobrevivem de forma incrível, sem qualquer cuidado especial. Parece que vivem dos nutrientes e da umidade que encontram no ar e na superfície dos troncos das árvores. A maioria cresce sob a sombra das árvores, na atmosfera de florestas tropicais. Algumas crescem sobre pedras, outras, nos campos.



Nunca tinha tido a experiência de cultivá-las em casa, pois sempre morei em apartamentos. Mas agora que moro em uma casa com quintal, resolvi criar minhas orquídeas, e para isso montei uma pequena estrutura de bambu, um "orquidário", sob o qual mantenho uma pequena coleção de 50 exemplares. Observando o seu crescimento, pude acompanhar como elas soltam brotos, de vez em quando, nos pseudos-bulbos que já deram flores, e que não mais as darão. Esses brotos ganham folhas e raizes aéreas, que buscam avidamente a umidade dos substratos dos seus vasos, ou mesmo dos vasos próximos. Uma brotação expontânea que sugere a renovação da vida.

Certa vez, ganhei uma muda de um amigo chamado Fernando, também orquidófilo amador. Plantei-a num vaso e a reguei. Passadas algumas semanas, começou a secar e parecia morta. Lamentei o fato, mas não a descartei. Deixei-a "descansando", de lado, regava de vez em quando. Nas últimas semanas surgiram dois lindos brotos daquelas hastes que pareciam mortas. Toda a energia latente que estava guardada em seu interior parecia querer explodir, numa manifestação clara de renascimento. era a vida que pedia para novamente nascer...
Isso me ensinou que devemos dar tempo àquelas coisas na nossa vida que parcem não querer ir pra frente, não "vingam"...Quem sabe não precisam de um descanso...de um tempo para renascerem...

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Van Gogh, uma alma atormentada


Foi lá pelos anos 90, quando conheci o Fábio Moraes, irmão de coração, que eu me encontrei com Van Gogh e sua arte. Até então, esse nome apenas me fazia lembrar um pintor louco que cortou a orelha ...Mas a paixão do Fábio pelo pintor holandês me fez mudar de idéia, e em pouco tempo eu também estava apaixonado por Van Gogh e sua arte. Comecei a ler sobre sua vida, as cartas que ele escreveu a Theo, seu irmão, seu eterno amigo e confidente, aquele que o sustentou durante toda sua vida...

O entusiasmo que ele nos passa nas suas cartas, a paixão com que fala de arte, das cores, das tintas, das pessoas que conheceu...das técnicas que descobria a cada dia, da luz do sol...que ele descobriu quando foi ao sul da França. Para ele, tudo podia se tornar arte: um par de sapatos velhos, um cachimbo sobre uma cadeira, uma vaso com girassóis, um pomar em flor. Pontes, bares, barcos, ruas, uma igreja, uma noite estrelada, um trigal com corvos...o gênio não se intimidava...queria pintar, e sua paixão o levava aonde o sol ia...precisava "aproveitar aquela luz..."



Seu sonho de formar uma comunidade de pintores morando juntos...sonho frustrado quando se desentendeu com Gaugin, por quem tinha uma profunda admiração...e por causa disso, num acesso de fúria, corta parte de uma orelha. Mas isso não o desanima, e ele pinta seu retrato com um curativo na orelha decepada!



Só mesmo uma alma atormentada poderia chegar a isso! Ele não sabia mais o que fazer para compensar seu irmão, que o mantinha todos os meses com dinheiro, tintas e telas. Por pagamento ele só tinha a retribuir com suas telas pintadas com tanta emoção e ternura. Sua angústia em saber que poderia atrapalhar a vida de Theo, depois que se casou e teve um filho, levou-o à atentar contra a própria vida.


Em toda sua vida, vendeu apenas uma tela, das 700 que pintou...Ele nunca poderia imaginar que, um século após sua morte, suas telas estariam valendo milhões de dólares! Se o que ele queria era chamar atenção sobre uma nova forma de representar o mundo à sua volta, ele conseguiu. Hoje, o mundo se curva à sua maestria, à sua grandeza. Exposições ficam cheias, livros são escritos sobre sua vida, sobre sua arte e sua técnica.

A ele, que vive para sempre nas obras que deixou, minha homenagem. Que Deus ilumine nossa vida, inspirando-nos a pintar como ele pintava, com o coração, com a alma, com todo o seu corpo...
Último auto-retrado


Reconstituição artística do rosto de Vincent Van Gogh, a partir do seu último auto-retrato, meses antes da sua morte, quando estava com 39 anos.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Uma capela em nosa casa

Nunca tivemos um lugar em casa que pudéssemos chamar de "sagrado". Nas casas onde moramos sempre havia o local do sagrado, um oratório, um crucifixo, mas ficava sempre em lugares públicos, sem uma identidade própria e não oferecia intimidade para oração.



Nesta nova casa nós conseguimos criar esse espaço. Originalmente era um depósito entulhado de coisas, e nós o transformamos em uma capela. Ali colocamos nossos objetos sagrados: um crucifixo, uma âmbula, um sininho, imagens de santos, nosso ícone de Cristo, e até uma pedra d'ara e uma lanterna de sacrário, garimpadas em uma demolição realizada por pessoas sem conhecimento religioso e litúrgico.


Inicialmente, criamos um espaço de oração com o que tínhamos. Depois de um tempo, numas férias que tirei no trabalho, idealizei um oratório feito no estilo barroco brasileiro, em madeira dourada e policromada.


Desde o projeto até a execução, foram momentos de oração sob a inspiração do Espírito Santo. Hoje, ele é o nosso "claustro", onde nos colocamos na presença de Deus e onde Ele fala conosco, no silêncio, em meio aos cantos dos pássaros e à beleza das flores. Fica no fundo de nossa casa, junto a um belo jardim... Lá é o nosso "espaço sagrado".