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Estudo |
Alfons Maria Mucha foi um ilustrador e designer gráfico tcheco, e um dos principais expoentes do movimento Art Nouveau. Nasceu em 1860 em Ivancice, pequena cidade da Morávia, atual República Tcheca, e faleceu em Praga em 14 de julho de 1939, após a invasão dos alemães. Seu nome foi frequentemente utilizado como sinônimo desse novo movimento na arte, tendo sua fama se espalhado pelo mundo.
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Retrato de Alfons Maria Mucha |
Foi para Paris, em 1887, onde estudou pintura na tradicional Académie Julian. Depois de passar mais de sete anos em dificuldades financeiras, trabalhando por baixos salários e passando fome, conheceu Sarah Bernhardt, importante atriz francesa, com quem assinou um contrato de seis anos para desenhar cartazes, cenários e figurinos para suas peças. Mucha, com a idade de 34 anos, alcançou sucesso imediato, após sete anos de trabalho duro.
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Cartaz para a peça Gismonda, de Sarah Bernhardt |
Em 01 de janeiro de 1895, apresentou o seu novo estilo para os cidadãos de Paris. No cartaz para a peça Gismonda, de Sarah (acima), ele testou seus conceitos de arte que vinha desenvolvendo, em que acreditava: tudo pode e deve ser arte. O cartaz foi a consagração de sua arte e do estilo que lançava. Seu estilo era baseado em uma composição forte, curvas sensuais a partir da natureza, refinados elementos decorativos e cores naturais. Os preceitos Art Nouveau foram utilizados, também, mas nunca às custas da sua visão.
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Estudos a lápis para o seu livro Documents Decoratifs |
Em 1900, Mucha desenhou o Pavilhão Bósnia-Herzegovina para a Feira Mundial de Paris. Paralelamente, fez uma parceria com o ourives Georges Fouquet na criação de jóias baseadas em seus desenhos. Também publicou o livro Documents Decoratifs, numa tentativa de transmitir suas teorias artísticas para a próxima geração, no qual ele forneceu um conjunto de esquemas do estilo Mucha, que seus imitadores não perderam tempo em utilizá-lo.
Patriota, Mucha considerava o seu sucesso como um triunfo para o povo checo, tanto quanto para si mesmo. A partir de 1909 pintou uma série de murais para o Salão do Lord Mayor, em Praga. Também começou a planejar "A Epopéia Eslava" - uma série de vinte grandes telas narrando a história do povo eslavo, que levou 18 anos para completar.
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Salão do Lord Mayor, em Praga |
Nos últimos anos de sua vida, seu trabalho ainda era bonito e popular, mas não era mais "novo" - um crime hediondo aos olhos dos críticos. Quando os alemães invadiram a Checoslováquia, em 1938, ele ainda era influente o suficiente para ser uma das primeiras pessoas a serem presas. Retornou para casa após uma sessão de interrogatório da Gestapo, vindo a morrer pouco depois.
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As graciosas mulheres de Mucha
As graciosas figuras femininas que povoam suas obras evocam uma época de grandes transformações na arte, quando realistas, impressionistas e simbolistas romperam definitivamente com os modelos greco-romanos, defendidos pelos academicistas. Com suas curvas sensuais e cores evanescentes, suas musas adquiriram uma notoriedade tal que chegaram aos nossos dias sem nunca perder a graça, apesar de tantos movimentos de arte que sucederam o Art Nouveau.
Inúmeros são os exemplos de sua arte utilitária, como cartazes, embalagens, barras decorativas, além de jóias, móveis e cenários para peças de teatro. Seus temas permanecem imortais, e não se podem esquecer as maravilhosas telas que pintou retratando figuras da sociedade ou temas do cotidiano.
Notáveis são os conjuntos de painéis que ele criou para a Gráfica Champenois, quatro grandes imagens em torno de um tema central: as quatro estações do ano, as quatro horas do dia, quatro flores, entre outros. A maioria desses conjuntos foi criada para o mercado de colecionadores e impressos em seda.